Parte 2: mais 4 motivos de como os importadores causam gargalos nas próprias operações

by Cheap2ship

Caso você não tenha lido a primeira parte, clique aqui.

A batalha para importar continua na segunda parte desse artigo já que na primeira parte, nosso bravo despachante aduaneiro enfrentou tantos gargalos criados pelo dissimulado cliente que terminamos com o importador cotando o frete internacional somente depois da carga estar pronta para o embarque.

Muitos acreditam que a etapa do início até conseguir embarcar seja a mais complexa da importação. Então, com o embarque da nossa história realizado, concluímos que o pior já passou?

Não se depender deste nosso importador.

1. Não dispor de capital para pagamento das obrigações.

Para ilustrar:

  • Olá importador! Aqui é seu amigo Despachante Aduaneiro, nossa carga chegará no porto daqui 15 dias, então lhe enviei o numerário há poucos minutos.
  • Já?!
  • Na verdade demorou, o frete que você fechou fez transbordo na Índia, Itália, passou pelo canal do Panamá e ficou 10 dias parado em Santiago por causa dos protestos no Chile…
  • Nossa, como o tempo passa rápido (risadas nervosas), mas só vou conseguir pagar daqui 20 dias.
  • Não consegue dinheiro pelo menos para os impostos e armazenagem? Podemos negociar um prazo com o agente de carga.
  • Não dá, pedi para ele enxugar tanto o frete que ele exigiu o pagamento para liberar o BL…

Empresas e pessoas passam por emergências financeiras que podem gerar situações como essa, mas não é sobre elas este texto. O que é comum testemunhar são importadores que, assim que conseguem levantar capital para pagar o exportador, realizam o embarque sem se preocupar se haverá caixa para quando a mercadoria chegar no terminal de destino.

Pois é ao chegar no destino que precisamos começar a pagar os demais envolvidos, principalmente os Impostos, frete nacional e Internacional, armazenagem e despachante aduaneiro. Mesmo havendo prazo com algum desses envolvidos, raramente eles serão longos o bastante para um fluxo de caixa incapaz de atender.

2. Não ter prioridade no trabalho para reduzir custos.

  • Boas notícias, importador! Conseguiremos a liberação com o Ministério da Agricultura agora a tarde, poderemos carregar amanhã, pode me passar o contato da transportadora?
  • Que bom, meu amigo despachante! Eu ainda estou negociando o valor. A transportadora me passou R$600,00, mas quero cinquentão de desconto, onde der para enxugar é sempre bom né?
  • Importador… – Diz o Despachante cheio de trevas na voz.
  • Diga, meu amigo!
  • Se não carregarmos amanhã, você vai pagar mais R$900,00 de armazenagem.
  • Tá…Vou fechar por R$600,00 e te mandar o contato deles.
  • Sabia que podia contar contigo

Salvo as situações em que o dólar despenca expressivamente (saudades), os custos de importação tendem a variar apenas para cima, especialmente se mercadoria já está no terminal de destino, pois não se pode dar ao luxo de sacrificar dias de armazenagem alfandegada para renegociar custos – o que deveria ter acontecido com antecedência.

E não apenas valores sobem, quanto mais demorar para sua mercadoria chegar a você, mais você a está submetendo a riscos como: greves de setor público, enchentes, roubo de carga, entre outros deveras comuns no Brasil.

3. Não automatizar o trabalho com sistemas.

  • Importador, o caminhoneiro tá esperando a Nota Fiscal.
  • Tá quase, tá quase! É que o guri que faz a NF ficou doente, então o chefe dele tá fazendo, mas ele nem lembra mais direito como alimenta as informações.
  • O arquivo da D.I que eu mandei para gerar a nota não funcionou?
  • Pelo que vi, é feito manual mesmo, do início ao fim.

Uma “atrasadinha” na Nota Fiscal pode ser o bastante para perder o horário de carregamento ou pagar por não ter comparecido, além do custo extra de armazenagem.

Ignorar as novidades tecnológicas capazes de acelerar nosso trabalho, é ignorar a oportunidade de economizar tempo para que este seja utilizado no que é de fato complexo, pois quanto mais tempo temos para fazer o difícil, maior a chance dele ser realizado corretamente.

Além de não podermos ignorar as mudanças para sempre, pois também somos obrigados a nos adaptar ao novo. Quem fez despacho aduaneiro no papel teve que aprender a fazer no clássico Siscomex e, agora, todos precisamos nos adaptar ao Portal Único e todas as novidades vindo com ele.

4. Saber que é possível melhorar, mas achar que a culpa é dos outros.

  • Boa tarde, importador. O caminhão chegou certinho no armazém de vocês?
  • Sim! Tudo certo…
  • Algum problema?
  • É que saiu caro e foi demorada a operação
  • Em que momentos?
  • Ah, desde para embarcar até o despacho.
  • Mas eu te ligava diariamente para conseguirmos embarcar e no despacho tivemos canal verde, adiantei tudo que estava ao meu alcance.
  • Ah não sei, acho que é o teu serviço que tá caro…

Mais um dos inúmeros mágicos momentos de gastrite que o comércio exterior proporciona.

O comércio exterior não está nem aí se você não fez fluxo de caixa, se não sabe definir o que é importante em cada momento ou como seria melhor para sua empresa. É o importador que deve se adaptar ao comércio exterior.