5 maneiras de como o exportador pode prejudicar sua importação

by Cheap2ship

A empresa deseja investir em novo maquinário para a modernizar a planta industrial e encontramos um exportador na Alemanha capaz de fornecer o que desejávamos.

Enquanto a engenharia analisava as informações técnicas, preparo o estudo de viabilidade da importação, levantando todos os custos logísticos e tributários, além de alinhar com o despachante aduaneiro e setor fiscal para conferir quais benefícios aduaneiros poderemos aplicar.

Informações apresentadas à diretoria, concluem ser viável a importação. Concluída a negociação da compra com sucesso, nos preparamos para iniciá-la.

1. Não entregar no prazo.

Como o Mr. Klaus não respondeu meu e-mail de ontem, resolvo ligar para ele:

– Bom dia Sr. Klaus! Aqui é o Jonas da ‘Keep Calm & Keep Importing LTDA.’’, como está meu amigo?

– Bom dia.

– Então… lhe perguntei ontem que dia posso enviar o container na semana que vem para carregarmos a máquina.

– Prontidão somente daqui 4 semanas.

– Mas combinamos semana que vem, o que aconteceu?

– (Mistura de alemão com inglês que não sabia se estava me explicando ou xingando), e quando você vai me pagar?

– Que pagamento? Próxima parcela é somente depois do embarque.

– Prontidão daqui 2 semanas.

Por consequência do atraso imprevisto (ainda mais vindo da Alemanha), preciso novamente cotar o frete internacional e torcer para que os novos valores não sejam superiores ou que os armadores não apliquem o temido GRI (General Rate Increase) no frete, além de precisarmos estimar novamente os custos conforme tentamos prever as taxas cambiais.

Para um país que o dólar sobe com delações premiadas, postagens no twitter e vazamentos de áudio, é tranquilo.

2. Criar conflito de informação entre importador e agente de carga.

Duas semanas passadas, como compramos a máquina na modalidade Ex Works (EXW), eu e o agente de cargas tentamos planejar com Mr. Klaus a coleta da mercadoria em sua fábrica. Porém, ao passo que meu amigo alemão me informa que vai carregar terça, o follow-up do agente diz:

Gentileza notar que o exportador informou para carregarmos na quinta.

Se o exportador me diz que só pode entregar a mercadoria de manhã, o agente diz:

Gentileza notar que o exportador informou que não entregam maquinário na quinta.

Se Klaus informa que ficou para sexta, meu contratado informa:

Gentileza notar que sexta é feriado na Alemanha, o carregamento será efetuado na segunda.

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E com essa malandragem (e por eu ter confiado num exportador que nunca trabalhei antes), o alemão conseguiu atrasar a entrega em mais uma semana, bem provável que de propósito, começo a acreditar que o real nome do alemão é Gerson ou Zé Carioca.

3. Falta de estrutura para embarcar a mercadoria.

Para minha surpresa, é segunda-feira e quem me liga é Klaus e sua frieza (que é o único estereótipo que esse alemão não devia seguir):

– Jonas, você me mandou um container Dry, eu preciso de Open Top.

– A carga na caixa e paletizada tem 1,8m de altura, por que precisa ser Open Top?

– Eu não consigo colocar para dentro de frente, somente içando com minha ponte rolante.

– Você não tem uma empilhadeira?

– Não, só ponte rolante.

Apesar de ficar boquiaberto com a estrutura da empresa de Klaus e fazer sentido com as dimensões e peso da máquina eu ter cotado o frete no container Dry, o problema teria sido evitado se tivéssemos informado o exportador com antecedência.

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Caso não seja da área, o Dry é o container comum e o Open Top não possui teto e pode ser fechado com lona.

Pergunto ao agente de carga qual o preço atual do Open Top e descarto assim que me informa, além de multiplicar o valor do frete, consequentemente aumentaria o valor dos impostos, seguro e armazenagem, sem contar o custo de trocar de container e provavelmente perder o embarque (que aumentaria o atraso em mais uma semana).

Diante do cenário desfavorável, combino com Klaus de dividirmos o aluguel de uma empilhadeira e assim continuamos a operação sem atrasos e com um custo extra bem reduzido.

4. Informações incorretas nos documentos de despacho aduaneiro.

Com a chegada do container no porto de destino final, iniciamos o despacho aduaneiro de importação e aguardamos o Siscomex informar em qual canal foi parametrizado, mas a música que ouvi naquela manhã deixou um cético como eu bastante preocupado.

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Podia ouvir a risada da Fafá enquanto o despachante aduaneiro me informa que tinha caído no vermelho.

Antes do fiscal chegar para a vistoria física, eu e o despachante conferimos a mercadoria (que estava com a parte frontal de seu pallet quebrada, lembre-se disso) e localizamos no produto onde estava o nº de série, pois é uma informação sempre conferida em maquinários pela Receita Federal e também para que a vistoria acabe o mais rápido possível.

E para minha quarta (mas não última) surpresa:

O número que constava na máquina estava diferente da Fatura Comercial.

Resumindo, multa de 1% sobre o Valor Aduaneiro da importação (Mínimo R$500), além da armazenagem extra para corrigir a importação e conseguir o desembaraço. Como a culpa foi do Klaus que informou o número incorreto, basta agora procurá-lo para:

  • Provar o erro documental
  • Explicar sobre multas no despacho aduaneiro Brasileiro.
  • Provar o pagamento dos custos.
  • Cobrar o ressarcimento do exportador.

Facílimo! Antes da Oktoberfest deve estar resolvido.

Para saber mais sobre Despacho Aduaneiro, leia: Explicação prática dos canais de parametrização da importação.

5. Sinistro por não utilizar embalagem adequada.

Carga desembaraçada e finalmente entregue em nosso pátio, chegamos ao fim? Quantas vezes cometi esse erro, bastou eu respirar aliviado para ser lembrado que a importação não termina com a chegada da mercadoria, o telefone toca:

– Jonas, o painel da máquina não liga, a placa interna dele está rachada.

Tivemos que importar urgentemente uma placa nova pois a atual não tinha conserto, e tivemos que pagar por ela! Pois Klaus não enviaria em garantia sem o laudo do seguro.

Pois é, um vendedor nato, mal podia esperar para importar mais dele.

O laudo do seguro alegou o esperado, lembra do pallet quebrado? Ele não era adequado para suportar o peso da máquina e quebrou justo no lado que se encontrava o painel, causando a rachadura em razão do impacto.

Seguro algum cobre danos causados por embalagem inadequada, pois essa negligência aumenta o risco de sinistros ocorrerem e seguros cobrem tão somente imprevistos e, por isso, precisei cobrar também pelo ressarcimento da compra da placa nova – pelo menos seria mais fácil explicar isso ao Klaus que o reembolso da multa.

***

Como nunca trabalhei num escritório construído sob um antigo cemitério amaldiçoado, essas dificuldades apresentadas jamais me ocorreram na mesma importação, mas acontecem e, mesmo que tentemos antecipar tais problemas, os exportadores conseguem repeti-las das mais variadas formas.

Gosto da falta de rotina que o trabalho na importação proporciona, mas a causa delas são na maioria oriundas de problemas, é preciso gostar de resolve-los nessa profissão.

Este artigo foi escrito com a turma da Cronos Logistics e foi publicado originalmente em seublog.

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Quem é o Jonas?

É um cara formado em comércio exterior, que trabalha há mais de dez anos com importação, compras e logística internacional, e continua apaixonado pela falta de rotina que essa vida tem!

E ele gosta de dividir essa experiência com todos, de forma simples e bem humorada pois, a leitura não pode ser um fardo para ensinar.

Além de aprimorar a escrita no LinkedIn, pratica artes marciais, enfrenta eternamente sua pilha de livros, joga vídeo game desde o Atari e também curte ajudar os outros profissionalmente, seja trocando uma ideia ou com soluções para quem está em apuros.