Oscilações na relação entre a oferta de navios e a demanda de carga pelo transporte internacional determinam o custo final do frete.

O custo do transporte internacional é o item óbvio que a empresa importadora deve ter em mente ao planejar sua operação no comércio exterior.

Embora o importador não tenha como interferir no preço do frete internacional, poderá entender as variáveis envolvidas e tirar proveito dessas oscilações, reduzindo seus custos operacionais logísticos.

Alguns motivos para a variação do frete internacional

Quando o assunto é variação do frete internacional, faz-se necessário considerar fatores econômicos, políticos e sociais para compreender a dinâmica com que mudam principalmente em rotas com maior número de armadores concorrentes.

Alguns dos diversos fatores que se relacionam com as oscilações do frete são:

  • Variações do câmbio;
  • Oscilações na economia;
  • Divergências políticas;
  • Desastres naturais e pandemias.

Para simplificar um melhor entendimento, a cotação do frete é regulada pela relação entre a oferta e a demanda, ou seja, quando há aumento da demanda, o frete sobe; quando há baixa da demanda, o frete reduz.

Oscilações de preços no curto prazo afetam a gestão de frete

A cada ameaça de greve dos caminhoneiros o debate sobre o frete rodoviário se intensifica em dois temas bem evidentes, onde ambos os lados tem razão.

De um lado, empresas do agronegócio e produtores rurais reclamam de seus custos, aguardando que caiam conforme avançam os investimentos na logística.

De outro, motoristas e transportadoras afirmam o massacre que a sua lucratividade sofre pela alta dos combustíveis e da inflação.

As oscilações ocorrem quando há eventos extremos e não esperados, como: paralizações em infraestrutura, mudanças regulatórias e legislativas, filas, quebra ou recorde de safras, dificultando assim qualquer gestão eficiente dos custos de escoamento da produção.

Variações no valor do frete internacional marítimo

Conforme determina a regra básica da economia: o preço é afetado diretamente pela oferta de transporte e de serviços.

No transporte marítimo o custo sobe se a demanda cresce mais do que a disponibilidade de navios ofertados. O inverso também ocorre, quando em períodos de baixa forçam os armadores a reduzir o valor do frete.

Nessas situações, as empresas “donas” dos navios podem adotar estrategicamente de medidas para não ficarem no prejuízo, como a redução de navios nas rotas para que haja maior procura por espaço neles.

Peak season

As altas temporadas nas movimentações do comércio exterior se iniciam em agosto/setembro, indo até o final de novembro. Esses períodos do ano são conhecidos por ter tarifas maiores por conta dos picos elevados de demanda.

Altas esporádicas na demanda que ocorrem em feriados na China geram um aumento na procura por quem quer embarcar, quanto um acúmulo de carga para transportar.

Por estes motivos, os armadores utilizam GRI (General Rate Increase), isto é, um acordo entre todos os transportadores para o aumento dos preços.

Em dezembro, os preços diminuem gradativamente até a metade do ano seguinte e neste meio tempo, os embarcadores utilizam o GRI no primeiro dia de cada mês com reduções progressivas nos dias subsequentes.

Alta dos fretes internacionais marítimos afetam empresas nacionais

Em um período curto houve o aumento médio de 93% a 300% em alguns casos do frete marítimo internacional.

O setor de logística internacional que também ainda sofre com os impactos do Covid 19, são sentidos por empresários brasileiros por conta da falta de espaço nos navios cargueiros, equipamentos e contêineres e o reaquecimento da economia global.

Atualmente é possível notar uma desorganização e alta dos custos logísticos internacionais, causando apreensão nas empresas do comércio exterior que dependem do transporte marítimo.

Os embarques de contêiner de 40 pés na rota China-Brasil ultrapassa o valor de USD 10 mil, a procura por espaço nos navios é intensa e o booking de cargas tem demorado até três semanas no mínimo.

Além disso, a concentração das cargas brasileiras está direcionada apenas para os portos de Santos e de Itajaí, contribuindo com a alta do frete e a demora para que a carga seja alocada.

Oscilações do frete marítimo nas exportações e importações brasileiras

Diante de todas as dificuldades que as indústrias nacionais têm em mensurar os seus custos logísticos envolvidos nos processos do comércio exterior, o frete internacional é responsável pela maior parte deste custo, fazendo-se necessário conhecer seus motivos que estão influenciando no valor do frete para que se mantenha estável ou continue oscilando.

Identificando as variáveis que contribuem na precificação do frete marítimo internacional nas importações e nas exportações brasileiras, chega-se ao resultado que se julgam quais são essas variáveis que de fato contribuem no valor.

Considerando a relação entre a oferta e a demanda com o valor do frete, as variáveis que têm grande interferência na flutuação da precificação do frete são:

  • Capacidade dos navios;
  • Custos operacionais;
  • Concorrência;
  • Alteração nos serviços ofertados.

No comércio internacional o transporte marítimo é realizado por navios de grande porte, tendo boas vantagens em relação à confiabilidade e a capacidade de transporte de altos volumes de cargas.

Além da eficiência energética e uma economia de escala para cargas a longas distâncias, o transporte marítimo é o modal mais utilizado no comércio internacional no Brasil, respondendo por pouco mais de 90% das movimentações.

Passando assim a ter maiores representatividade e importância no cumprimento dos prazos de entrega das cargas, como também estratégia organizacional para que os custos logísticos sejam melhores previstos.

Desta forma, as empresas do comércio exterior passaram a questionar os motivos de volatilidade em determinados trades das cargas que são movimentadas nas exportações e nas importações.

Frete Marítimo: entenda a composição do custo

Empresas que trabalham com transporte de cargas no comércio exterior sabem que a forma mais eficiente para o envio de cargas internacionais é através de contêiner via frete marítimo, por meio da prestação de serviços dos armadores.

Como é calculado o valor do frete internacional?

O cálculo leva em conta principalmente as características das mercadorias que são transportadas, considerando o peso da carga, a cubagem da embalagem (altura, largura e espessura) e a disposição dos itens no modal.

Os fretes aéreos são comercializados por kilo, sendo cobrada um taxa por kilo da mercadoria. Já os fretes marítimos são comercializados em toneladas ou metragem cúbica.

Como funciona o frete marítimo?

Pode ser feito das formas direta ou indireta e para isso é necessário contratar uma transportadora que trabalhe com o modal escolhido, alinhando os processos de valores de frete, prazos, logística reversa, entre outros.

O frete internacional pode ser pago em qualquer parte do mundo, sendo que o armador será avisado pelo seu agente sobre o recebimento, de modo a proceder a liberação da mercadoria, no Conhecimento de Embarque, do valor a ser pago.

Por que o frete marítimo aumentou de valor?

Fábricas que já enfrentavam escassez de componentes essenciais, com a energia e a matéria-prima mais caras são obrigadas a pagar mais caro para conseguir espaços nos navios, além da chamada “crise dos contêineres” fazendo com que os fretes batam recordes e alguns exportadores elevem preços ou cancelem embarques de mercadorias.

Quem define o padrão para a cobrança do frete no comércio internacional?

As Incoterms (International Commercial Terms) que são termos internacionais do comércio exterior, ou seja, são as regras de âmbito internacional e de caráter facultativo, que definem as responsabilidades do comprador e do vendedor quanto ao pagamento de frete, seguro, despesas portuárias, etc.

Entenda quais são as taxas, sobretaxas e variações de valores do frete internacional

Nos últimos tempos os importadores brasileiros têm se deparado com uma alta representativa do frete marítimo, principalmente na rota China-Brasil, com valores cinco vezes maiores se comparados ao período pré-pandemia.

Neste cálculo é preciso considerar as taxas de frete definidas pela transportadora/armador e os custos associados ao manuseio e desembaraço dos produtos nos portos.

Bunker Surcharge

Também conhecida como Bunker Additional Fuel (BAF), é a sobretaxa de combustível aplicada em percentual sobre o frete básico.

Heavy Lift Charge

É a taxa cobrada para volumes pesados que possuam excesso de peso ou produtos com peso excedido que exijam condições especiais de transporte. Cobrada progressivamente cujo peso bruto seja equivalente ou superior a cinco toneladas, valendo para embarque, desembarque ou arrumação da mercadoria no navio.

Extra Lenght Charge

Esta taxa considera o volume de grandes dimensões, sendo aplicada às mercadorias com cumprimento de 12 metros, independente do peso.

Currency Adjustment Factor

A taxa de fator de ajuste cambial (FAC) é orientada pelo fator de correção monetária, somada ao frete básico, ao Bunker, ao Heavy Lift e ao Extra Lenght, se for o caso.

Minimum Freight

É a menor taxa para cobrir certos custos, sendo aplicada quando o volume é inferior à meia tonelada ou meio metro cúbico.

Open Rate

A taxa aberta é admitida para permitir ao armador ofertar preços atrativos e concorrer com navios tramps ou outsiders.

Temporary Rate

A taxa temporária visa atender condições de tráfego de abertura de mercado, estimulando a competitividade em bases reduzidas de frete e com aplicação restrita a determinado período.

Special Rate

É a taxa especial definida pelas mesmas condições determinadas pela Temporary Rate.

Lumpsum Rate

É a taxa de frete por atacado, definida para o embarque de mercadorias como um todo, sendo negociada entre armador, agente e cliente.

Through Rate

A taxa de prosseguimento é cobrada pelo armador para que a carga seja transportada via marítima ou terrestre até o destino final, com o custo do transbordo entre os transportadores, incluso no preço do frete marítimo.

Ad Valorem Rate

É a taxa aplicada sobre a composição do frete apenas para mercadorias de alto valor agregado.

Minor Port Additional

É a taxa adicional de porto cobrada nos casos em que a mercadoria é embarcada ou desembarcada em porto secundário ou fora da rota.

Congestion Surcharge

É a sobretaxa por congestionamento consistindo em percentual definido pela conferência do frete, aplicando-se ao frete básico quando há muito movimentação nos portos, gerando demora para atracação.

Quais outros fatores alteram os custos do frete marítimo?

Em um cenário de crise, no qual os valores de frete internacional vêm oscilando muito pelo mercado mundial, o frete marítimo, em especial, é altamente impactado.

É muito importante ter em mente que essa modalidade de frete é bem flexível, compondo seus custos ajustados pelas necessidades dos clientes, como para a expansão do comércio exterior e a indústria da logística internacional.

Fatores inerentes às mercadorias

  • Fator de estiva;
  • Forma das mercadorias e de suas embalagens;
  • Grau de periculosidade;
  • Facilidade de arrumação a bordo;
  • Local e proteção especiais;
  • Unitização da carga;
  • Mercadorias não destinadas a fins comerciais;
  • Estado de fabricação;
  • Natureza da carga e sua disponibilidade.

Fatores comerciais

  • Valor da mercadoria por tonelada-frete;
  • Capacidade competitiva com produtos similares me outros países;
  • Volume de negócios;
  • Quantidade de carga;
  • Seguro;
  • Formas de pagamento do frete;
  • Lançamento de mercadoria nova;
  • Forma de contrato de transporte marítimo;
  • Contratos especiais de fretes;
  • Concorrência com outros armadores;
  • Serviços de transporte marítimo;
  • Possibilidade de carga de retorno;
  • Comissões e lucro do armador.

Fatores geográficos

  • Distância (em milhas náuticas) a ser percorrida pelo navio;
  • Localização dos portos.

Fatores legais

  • Impostos e taxas governamentais;
  • Regulamentação portuária;
  • Taxas para dragagem;
  • Restrições impostas às importações.

Fatores políticos, sociais e econômicos

  • Guerras;
  • Lockouts;
  • Pandemia com a quarentena.

Frete marítimo da Ásia: como está o cenário?

Desde o início da pandemia de Covid 19, os valores de frete internacional para a trade China-Brasil dispararam e preocupam grandes players da área.

A China é o principal parceiro comercial do Brasil, tanto na importação (+21%), quanto na exportação (+33%) e por este motivo o cenário atual desta rota vem sendo muito discutido entre os especialistas.

Contextualização trade Ásia-Brasil

Os principais produtos importados da Ásia para o Brasil são do grupo da indústria da transformação:

  • Válvulas e tubos;
  • Equipamentos de telecomunicação;
  • Partes e acessórios;
  • Máquinas e eletrônicos.

Já o Brasil é um grande exportador para os países da Ásia de produtos agropecuários e da indústria extrativa:

  • Soja, milho e tabaco;
  • Minério de ferro;
  • Óleos brutos de petróleo;
  • Minerais betuminosos.

Por que o frete internacional saindo da Ásia ficou tão alto?

A China é considerada a “fabrica do mundo”. No isolamento provocado pela Covid-19 muitas empresas pararam, deram férias coletivas e com isso a produção foi suspensa.

Utilizando os estoques como estratégia para não faltar produtos, neste mesmo período os armadores omitiram rotas e pararam em alguns portos (chamada de Blank Sailings).

Com a recuperação da economia global muitos países voltaram a demandar produtos da China, que com o aumento para repor estoques os armadores tentaram manter o controle, porém com a lei da procura e oferta os valores de fretes marítimos aumentaram consideravelmente.

Alguns players também se viram no “efeito substituição”, migrando do modal aéreo que sofreu um aumento de 200% para o modal marítimo.

Sem falar na falta de contêineres que após o encalhe de uma semana do navio Ever Given no canal de Suez, a situação passou a ser mais preocupante na disputa de frete internacional entre Europa, Estados Unidos e Brasil.

Um breve debate sobre as causas da inflação do frete internacional

Os setores econômicos atuantes do comércio exterior lidam cada vez mais com o aumento dos custos do frete marítimo e a escassez de contêineres, como vimos falando durante todo o artigo.

Ao passo que as atividades do comércio eletrônico se expandem com força total por conta do período pandêmico.

Esta situação tem levantado dúvidas nas empresas sobre a capacidade de abastecimento no mercado internacional, pois o comércio encontrou a “válvula de escape” no e-commerce, porém a entrega ainda exige muito da logística física.

Neste momento atípico em que passas as indústrias, pode ser que eventualmente haja o desabastecimento de produtos, tendo em vista que muita matéria-prima é movimentada pelo comércio internacional, gerando um efeito inflacionário em cadeia.

O modal marítimo representa hoje em dia 80% do comércio mundial. Este cenário constante da inflação dos fretes deve se manter até que as principais rotas seja reestabelecidas, conseguindo suprir a demanda irregular que surgiu durante a pandemia.

O frete é tratado como commodity, com oscilações frequentes, diante da economia globalizada, de forma que quando se fala de um bom serviço de transporte, diz-se sempre que “a conta tem que fechar”.

O setor necessita de investimentos que acompanhem a tecnologia com geolocalização, como contêineres que preservem alimentos em perfeitas condições e com alto valor agregado, havendo ainda a cobrança por máquinas menos poluentes e a modernização de frotas.

Outros fatores ainda podem influenciar em todo este contexto debatido até aqui, como: demanda crescente por navios de 300 ou 400 metros, exigindo investimentos pesados em drenagem dos portos; demanda de aço para produção de contêiner; custo operacional com combustível e bunker; diminuição da oferta por conta da concentração de 90% do mercado nas mãos de dez armadores; atrasos climáticos comprometendo a cadeia logística; e no caso do Brasil, instabilidades jurídicas.

Perspectivas do frete marítimo internacional se normalizar

O aumento drástico no valor do frete marítimo na rota China-Brasil realmente desestabilizou muito a logística internacional no nosso país.

Muitos foram os desafios no período pandêmico para os players do comércio exterior, além do preço elevado houve também a falta de espaço em navios e aviões, a falta de contêineres para várias rotas e problemas operacionais com as tripulações contaminadas e de quarentena.

Os armadores encontraram dificuldades para repassar o aumento de frete internacional para as empresas do comércio exterior, pois além dos custos de combustível e equipamentos, existem também as questões como essa falta de espaço, pouca disponibilidade de acessórios importantes para a realização das operações e a falta de oferta.

A tecnologia poderá ajudar os players principalmente na tomada de decisões de forma rápida e assertiva, trazendo agilidade e praticidade para as empresas no momento de cotar o valor do frete. Reduzindo custos ao mesmo tempo em que encontra um fornecedor disponível, garantindo assim o melhor negócio dentro das condições impostas.

É difícil prever uma perspectiva de normalização do frete internacional Ásia-Brasil pelo modal marítimo, pois a pandemia se estenderá por alguns países até que a maioria das pessoas nessas populações esteja vacinada ainda em 2021. Com isso, será necessário conviver um pouco mais com a constante oscilação dos valores.

Conclusão

Crises como a que o Brasil ainda se recupera empurram o valor do frete internacional para baixo, por conta da queda do volume importado e assim os armadores precisam repor os equipamentos no país para reutilizarem nas exportações.

Nem sempre um preço baixo é sinônimo de bons negócios para os importadores, pois a qualidade dos serviços cai e os navios precisam adicionar novos transbordos em outros portos para viabilizar as viagens.

Mesmo com o retorno gradual das atividades econômicas e a vacinação das populações de diversos países, os efeitos da Covid-19 na logística internacional serão sentidos até meados de 2022, conforme alguns especialistas e profissionais do comércio exterior estimam.

Após ser considerado o epicentro da epidemia com campanhas agressivas de testes e um controle rígido nas fronteiras, a China conseguiu reduzir drasticamente os contágios de Covid-19.

Porém, no final de outubro de 2021, vendo sendo identificados um número de mais de 30 casos em um dia, sendo um total de mais de cem casos em uma semana.

Novos focos foram detectados em onze províncias, com mais de trinta mil pessoas confinadas em quarentena, com serviços de transporte público suspensos e até o novo fechamento de atrações turísticas.

As autoridades tentam conter os novos contágios do vírus com testes em larga escala e confinamento direcionados em certas regiões.

Ainda sofrendo os “efeitos colaterais” do primeiro lockdowns no início da pandemia, mais o “engarrafamento” de uma semana no Canal de Suez e a crise da falta de contêineres, será que termos um novo fechamento da “fábrica do mundo”?

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