Nos últimos meses, quem atua no comércio internacional tem dito por diversas vezes a frase: “Eu trabalho a tanto tempo no Comex e nunca vi nada igual até hoje”. De fato, isso realmente nunca aconteceu. Vivemos um momento onde falta container vazio para estufar com mercadoria, quando consegue o contêiner falta espaço para embarque, quando consegue espaço o valor do frete em alguma rotas chega a custar 12 vezes mais caro do que antes da pandemia, algo realmente que nunca vimos no comércio internacional.

Anos atrás tivemos um momento totalmente oposto com a crise mundial de 2008, onde era mais em conta trazer um contêiner cheio da China para o Brasil do que um frete rodoviário de Santos para São Paulo capital. Fretes esses onde um contêiner 40 DRY custava USD 25,00 de Ningbo para Santos. Sobrava espaço, sobrava contêiner e os valores nem se fala. Mas, onde vamos chegar com esse cenário atual? Quando voltaremos à normalidade? Pois bem, quando isso vai acabar nem os armadores e os maiores especialistas mundiais conseguem dizer, mas de uma coisa temos certeza, as empresas não podem mais esperar por essa normalidade. Por isso, nesse artigo falaremos um pouco mais sobre estratégias que podem ser adotadas nesse momento de dificuldades e em especial sobre o uso do contêiner 40 NOR.

Lembro que antes da pandemia eu sempre falava para as pessoas do Comex: “Você já pensou em utilizar contêiner de 40 NOR?” E o que eu ouvia era: “Não, para nós, esse tipo de equipamento não faz sentido” e entre as mais diversas outras desculpas para não utilizar esse equipamento. Pois bem, o ano é 2021 e agora o que mais ouço é: “Qual agente de cargas consegue contêiner 40 NOR para nós? Pode me indicar um armador por favor?…”

Mas por que o 40 NOR virou o queridinho dos importadores nesse momento? Será que é somente pelo fato do valor do frete deste tipo de contêiner estar custando metade do valor de um 40 DRY ou também pelo fato de ser mais fácil encontrar um contêiner 40 NOR do que um contêiner 40 DRY?. 

Para explicar o porquê disso é necessário entender a logística por trás desse processo. O contêiner 40 NOR nada mais é do que o contêiner de 40 REEFER que, no caso da logística Brasileira, é exportado para o mundo inteiro com carnes congeladas, frutas e entre outros, no qual nossa demanda de exportação é muito superior à de importação de produtos congelados. Por isso, de alguma forma esses contêineres precisam retornar ao país para novamente serem estufados e enviados para o destino novamente com novos produtos congelados. 

O que acontece muitas vezes é que esses contêineres, por não voltarem com produtos congelados, acabam não sendo uma opção aos importadores devido ao mesmo ter um CBM menor do que um contêiner 40 DRY normal. Desta forma, muitas vezes os armadores precisam trazer para o Brasil esses mesmos contêineres vazios sem carga o que acaba sendo um prejuízo aos mesmos. Eu mesmo, quando atuei em uma agência marítima, fiz várias vezes processos de envio ao CE mercante de mais de 500 contêineres referentes vazios, pois não havia procura e o armador acabava tendo que arcar com o prejuízo. 

Desde então, armadores começaram a colocar esses contêineres de uma forma mais atrativa ao mercado, onde um frete de retorno desses contêineres desligados chega a custar até 50% do valor de um contêiner 40 DRY. Para se ter uma ideia, no mês de Julho de 2021 acompanhei fretes Ningbo x Santos de 40 DRY custando cerca de USD 15 mil e onde um contêiner de 40 NOR para mesma origem destino custou cerca de USD 7 mil. 

E se você acha que clientes que mudaram suas operações para esse tipo de contêiner no futuro irão voltar novamente para o container 40 DRY, você está enganado. Isso porque agora os principais clientes que utilizam o 40 REEFER NOR são os mesmos que já usam a mais tempo essa opção, isso porque os armadores têm dado prioridade justamente para quem já utilizava esse tipo de equipamento mesmo antes da pandemia e que sabe que quando tudo normalizar continuarão auxiliando os mesmos a reduzir prejuízos e manter a logística internacional saudável com equipamentos antes pouco utilizados para retorno.

Minha dica para você que ainda não utiliza esse equipamento e quer reduzir custos em fretes nesse momento é: procure seus agentes de cargas mais próximos e entre eles entenda quais podem trazer essas opções para seus embarques. Se sua empresa conseguir se programar e se organizar, é possível sim que você consiga embarcar suas cargas. Consulte seus parceiros e leve a economia a sua empresa.

Por mais caótico que tudo esteja nesse momento, lembre-se que existem soluções e que mais do que nunca estudar junto a diretores, gerentes entre outros envolvidos é primordial para mudanças como essa. 

Jociano Motta

Ceo Cheap2ship